quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

.... Caravanas ....



Pelas caravanas deste deserto eu vou. Que nada mais turbe a minha visão! Saber e não saber, estar e não estar, ser e não ser. Mergulhar e sumir na imensidão. Como nas noites Árabes sentar-me-ei diante de meus companheiros e beberemos do vinho sagrado. E embriagados cantaremos a noite inteira.

Sam Bodhanam

..... Dádiva .....



Se observarmos com atenção perceberemos que quando estamos alegres queremos todos alegres, e se estamos tristes, queremos todos tristes. Temos esta imensa capacidade de compartilhar as nossas dádivas ou as nossas misérias. O que me deixa perplexo é que sempre estamos doando. E ainda ousam dizer que somos ilhas.

Sam Bodhanam

Dancemos envolta da fogueira, dancemos a noite inteira. Ecoa lá da floresta o uivo uníssono dos lobos. Eles sabem da nossa confraria. Somos meio loucos, dervixes sem pouso; e quando olhamos descobrimos o nosso ponto de repouso.

Sam Bodhanam


Muito já ouvi falar das almas gêmeas. Alguns não acreditam, outro acreditam piamente. E perguntam para o Sam o que ele pensa do assunto. Ele responde: somente saindo de si e se unificando. Quando as bênçãos são sinceras, as palavras se completam, e ao se ver as gazelas sossegarem no pasto, ó devoto incauto, prepara a mirra, o incenso e o ouro.

Sam Bodhanam

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

... O tudo e o nada ...



Por que não me aceita se sou o tudo e o nada?
Em meus versos escrevo aquilo que mais lhe convém.
Abra a sua mão! O tempo escoa apenas quando é tempo.

Deslize seus pés para a outra margem.
Retire as suas pesadas roupas
e dance com as gazelas indomáveis!

Sei pelo que seu coração tanto espera.
As antigas eras passaram, contudo não passou
este anseio que traz no peito;
um grito sufocado e envolvido
no manto secreto da densa floresta.

Sam Bodhanam

domingo, 15 de janeiro de 2012

.... Momento .....




Silenciosamente desconcertamos este momento.
Bem no fundo sabíamos que isso era verdade. 
Meras palavras não teriam tal força.

Ocultado na simplicidade, quase que absorto,
com asas aladas, íamos de vila em vila.
Quem poderia dizer se aquilo tudo era real,
ou se tudo não era um sonho sonhado,
montado num imenso mosaico.

Com força vindo da alma,
erguíamos os mil escombros.
 
Sam Bodhanam

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Sem nome



Não trago apenas sabores!
A minha pele já não é a minha pele.
Os dias se revolucionaram,
e a bela cauda do cometa já não se perde.

Não saberia criar rimas tortas que rimassem só por rimar.
Isto seria  uma coisa qualquer tão vulgar.

Em todos os lugares deixei ausência e presença,
eis o segredo da minha essência.

Não trago apenas sabores!!!
Deixo a mão vazia a ser preenchida
por um vento sem nome...

 Sam Bodhanam